outra recomendaçom da minha colega carmen. leitura junguiana sem ter lido nunca jung. reviravolta feminista deste autor para fazer-nos descobrir às mulheres qual é o arquétipo, inspirado nas figuras de sete deusas gregas domina o nosso carácter. ameno e divertido, sobretodo se vas colocando deusas a cada mulher que conheces (eu vejo-me meio artemisa meio afrodita...). Seique tem umha segunda parte com mais arquétipos (e portanto mais matizes).
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Leituras demoradas. as deusas.
outra recomendaçom da minha colega carmen. leitura junguiana sem ter lido nunca jung. reviravolta feminista deste autor para fazer-nos descobrir às mulheres qual é o arquétipo, inspirado nas figuras de sete deusas gregas domina o nosso carácter. ameno e divertido, sobretodo se vas colocando deusas a cada mulher que conheces (eu vejo-me meio artemisa meio afrodita...). Seique tem umha segunda parte com mais arquétipos (e portanto mais matizes).
Leituras demoradas. café budapest
afonso zapico. café budapest. astiberri. bilbo 2008.
entrando-lhe á banda desenhada. umha delícia. a eterna história de amor entre pessoas de famílias rivais, de culturas diversas e o horror do genocídio nazista de fundo.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Leituras demoradas: silvinha.
silvia plath: poesia completa. ediciones bartleby. barcelona 2008.
outra das leituras demoradas e lentas destes últimos messes foi a poesia completa de silvia plath. e menuda edição a do galego xoan abeleira!
lim a silvinha desde a ignorância e o desconhecimento e, portanto, sem muitos prexuizos, o qual favoreceu a leitura. impressionou-me o seu domínio das imagens, das metáforas e, por suposto, o imenso mundo mítico que elaborou nos seus poemas. bufff!
precursora!
Leituras demoradas: correndo com lobas
levo messes sem fazer anotaçons neste blogue, o qual nom quer dizer que nom leia, simplesmente que nom anoto neste blogue. pensei em começar de novo e esquecer leituras que ficárom no caminho destes tempos, mas penso que vale a pena quando menos fazer memçom delas, para que este caderno nom perda o seu sentido inicial. quando houver tempo e vontade, acrescentarei comentários.
a grande leitura do inverno/verám/outono foi esta de clarissinha. A lentidom da leitura nom o foi por preguiça mas porque é um livro que require umha atençom demorada, um ler de vaca, ruminando cada capítulo. a estrutura, ademais, anima a fazê-lo assim.
mistura de psicologia, antropologia, literatura popular, mitologia, guia de auto-ajuda e poesia, este ensaio tem um único objectivo: definir que é umha mulher selvagem e aprender-nos [às mulheres que queiramos] o caminho para recuperar essa mulher-loba que levamos dentro.
depois de ler, eu quero.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
utopias piratas
peter lamborn wilson: utopias piratas. corsários, mouros e renegados europeus. deriva editores. porto 2009.ou dos piratas como sociedade proto-democrata. ou dos piratas como sociedade proto-socialista.
merquei o livro naquela visita de abril a braga. quem não lhe dê importância aos títulos que coloca às suas obras, que atenda aos meus critérios de selecçom de livros: há muitos que caem nas minhas mãos polo intuito dum bom encabeçamento. é o caso deste utopias piratas, tão sugerente.
e de resultados tão interessantes. peter lamborn tenta, neste ensaio, reconstruir a história da "república corsária do salé", que tivo vigência, nessa cidade marroquina por volta do sêculo xvii. mas para consegui-lo, encontra certas dificuldades: ai, as fontes!. se algo caracteriza as culturas piratas é o seu carácter iletrado, polo que o investigador só pode contar com a documentação fornecida por informantes alheios a essa cultura: visitantes europeus ou africanos, mas em todo o caso, inimigos. há de aprender a ler entre as linhas das propaganda anti-corsária, da hostilidade e o sensacionalismo, por ver de reconstruir uma possível realidade histórica.
muitas cousas interessantes nos oferece esta obra:
- achega-nos a um mundo muito próximo (historicamente), de grande importância para comprendermos certas questões sociais, religiosas, etc, mas que sempre conhecemos do ponto de vista europeu -castelhano-. lembro ter estudado que cervantes estivera cativo em alger e a literatura castelhana da época -pensemos no romance bizantino- reflicte a actividade pirata como algo habitual, mas nunca encontrei tratado esse fenômeno nos livros de história que lim, e quando citado, foi reduzido a uma simples questão de delinquência. esta obra fornece um achegamento básico ao que significárom os enclaves de alger, túnes, tripoli na actividade corsária da época.
- chama a atenção sobre um fenômeno também pouco atendido em outras obras: numa espanha obsessionada pola religião, não adoita falar-se dos renegados: aquelas pessoas que voluntariamente escolhem professar a religião mussulmana. aparece-nos salé, neste livrinho, como o refúgio de muitos andaluzes e castelhanos expulsos de espanha por não aceitar o crstianismo obrigatório.
- fai-nos ver a importância política das sociedades piratas na altura, pois assim como o terror corsário podia chegar até as portas de irlanda ou islândia, também a diplomacia holandesa ou britânica chegava às costas africanas e punha em comunicação esses dous mundos defrontados.
- frente a visão anarquista, proto-capitalista e individualista que oferece a imagem hegemónica do mundo da pirataria, defende a ideia comunitária e igualitária da mesma, um mundo em que o indivíduo não é ninguém mas pode chegar ao mais alto: ninguém porque um barco não se pilota sozinho e o mais importante porque o berce não é mirado para eleger aos dirigentes. uma comunidade com normas próprias, muitas vezes contrapostas às das comunidades de origem dos seus membros. autêntica resistência social.
- e sobretudo, combinando estes elementos anteriores, mostra como certas correntes do islamismo, junto com a incorporação de contingentes de marinharia explotada às tripulações piratas favorecêrom o aparecimento duma república: uma sociedade igualitária, de funcionamento proto-democrático que foi, para o autor, um claro precedente das futuras sociedades democráticas europeias.
uma leitura muito enriquecedora porque me faz reflexionar tanto sobre a minha formação cultural como sobre o meu futuro labor como investigadora. ademais de divertir-me com as andanças piratonas de murad rais, por exemplo.
sábado, 25 de julho de 2009
playstation
o acto poético já tinha acontecido // o dia em que Marlyn Buck, do penal de Texas, / aprendeu espanhol / para traduzir Estado de exilio.
através de manolo, companheiro na escola e inédito escritor, cheguei a cristina peri rossi. não lera nada dela, poeta lésbica da provocação e o escândalo. eu nunca me sentim chamada por provocações e escândalos. mas manolo dixo que gostara muito deste playstation, e eu fui correndo a mercá-lo e lê-lo.
poesia feita diversom retranca desencanto, todo junto em cada um e todos os poemas. cristina peri rossi cria umha protagonista de nome cristina peri rossi, escritora, lesbiana, que vive em barcelona, que trata com editoras tradutores leitores, que vai à televisão apresentar os seus livros, que se vê leiloada em amazom.com em forma de camisola. e a cristina poeta utiliza as peripécias prosaicas, quotidinadas, da cristina personagem para pór em solfa o mundo todo que habita.
os poemas todos são de carácter narrativo. umha anedota qualquer: a leitura de poesia numa vila, a visita a um sex-shop, o atropelo com perna quebrada e na casa, as exigências da editora. mas todos os poemas, todos, acabam com um verso terramoto, um frasse umha palavra que revira a anedota e faz dela reflexom, dor, humor, soidade,ressistência.
quiçás porque eu agora começo a andar um pouco nesse mundo, divertiu-me inmensamente a brincadeira contínua da poeta com o mundo editorial, tam pouco lírico ele.
poesia para gozar.
mas também vai uma reflexom: cristina peri rossi cria uma personagem chamada cristina peri rossi que é lesbiana, poeta, que vive em barcelona, que trata com editoras tradutores leitores, que vai à televisão apresentar os seus livros, que se vê leiloada em amazom.com em forma de camisola. é legítimo que apresente a um prémio literário um texto tão transparente na sua autoria?
através de manolo, companheiro na escola e inédito escritor, cheguei a cristina peri rossi. não lera nada dela, poeta lésbica da provocação e o escândalo. eu nunca me sentim chamada por provocações e escândalos. mas manolo dixo que gostara muito deste playstation, e eu fui correndo a mercá-lo e lê-lo.
poesia feita diversom retranca desencanto, todo junto em cada um e todos os poemas. cristina peri rossi cria umha protagonista de nome cristina peri rossi, escritora, lesbiana, que vive em barcelona, que trata com editoras tradutores leitores, que vai à televisão apresentar os seus livros, que se vê leiloada em amazom.com em forma de camisola. e a cristina poeta utiliza as peripécias prosaicas, quotidinadas, da cristina personagem para pór em solfa o mundo todo que habita.
os poemas todos são de carácter narrativo. umha anedota qualquer: a leitura de poesia numa vila, a visita a um sex-shop, o atropelo com perna quebrada e na casa, as exigências da editora. mas todos os poemas, todos, acabam com um verso terramoto, um frasse umha palavra que revira a anedota e faz dela reflexom, dor, humor, soidade,ressistência.
quiçás porque eu agora começo a andar um pouco nesse mundo, divertiu-me inmensamente a brincadeira contínua da poeta com o mundo editorial, tam pouco lírico ele.
poesia para gozar.
mas também vai uma reflexom: cristina peri rossi cria uma personagem chamada cristina peri rossi que é lesbiana, poeta, que vive em barcelona, que trata com editoras tradutores leitores, que vai à televisão apresentar os seus livros, que se vê leiloada em amazom.com em forma de camisola. é legítimo que apresente a um prémio literário um texto tão transparente na sua autoria?
segunda-feira, 6 de julho de 2009
vermelha apesar do amor
porque as histórias não fôrom escritas com tinta,
mas com o fio das costureiras
e a verdade na ponta duma agulha
mas com o fio das costureiras
e a verdade na ponta duma agulha
há semanas que lim este poemário. mas, assim como doutros livros as palavras saem imediatas e doutros mais as palavras saem demoradas, deste simplesmente não saiam. não sabia eu como falar desta obra.
pois ela deixou um gosto acerbo. não gostei mas não sabia dizer por que. não gostei mas não queria dizê-lo, porque me podia o respecto à causa. custou-me aceitar que alguém que escreve sobre memória histórica e mulheres represaliadas pudera ter-me decepcionado.
ámote vermelha está estruturado em três partes: o coração da besta, na besta do coração e memória contra a morte. na primeira parte faz recordatório de mulheres vítimas da repressão durante a guerra civil e a ditadura; na segunda faz um elógio de várias mulheres artistas, algumas contemporâneas, e na terceira recolhe alguns poemas sobre o lugo antifeixista.
é a primeira parte a da decepção: enfia nela poemas adicados a mulheres antecedidos duma epígrafe informativa sobre as suas [pequenas] histórias. o caso é que a mim chegarom-me mais as epígrafes, as histórias espidas de paralelismos e anáforas, que os poemas. do livro anotei, no meu caderno, mais vidas e nome que versos. os poemas deitavam aroma a cânfora, a velho, a anos 70 e manifa e não, não acabo eu de gostar da poesia-ode da poesia-panfleto. quero que a minha mente trabalhe mais.
esta decepção veu-se compesanda por esse poema em haikus: vermelha com lobas. aí sim encontrei o que procurava.
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