sábado, 15 de setembro de 2012

renascença

Education

meu pobre comopamdaboca, que leva messes no mais absoluto abandono! o tempo levou-me por outras enormes margens, que nom coutárom a leitura, mas sim o registo escrito da mesma. 

tenciono seguir...

...e continuo.

A imagem leva por título education. É de thiane e tirei-na de aqui.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

o dia de amanhá

ignacio martínez de pisón: el día de mañana. seix barral. barcelona 2011.

só duas recomendaçons, mas as duas tam entusiastas que acabei por encarregá-lo, mercá-lo e lê-lo. aos poucos, dosificando. levou-me três dias porque me neguei rotundamente a devorá-lo numha tarde.

e comparto.

penso que é um livro boíssimo. onde nom sobram palavras. onde nom sintes a falta de nengumha. onde cada intervençom tem sentido: ajuda a ver a imagem do puzzle e faltando ficaria um oco descuberto na mesa.

gostei da singeleza do estilo, da combinaçom de vozes (homens, mulheres, vítimas, cúmplices, ricos, pobres, burgueses, currantes...) e a ausência, total, da voz do protagonista. porque é um livro com um claro protagonista, justo, ao que nunca, nunca, podemos escuitar directamente. 

essa é, para mim, a fortaleza do romance. o fácil seria colocar ao mau dando o discurso explicativo-justificativo, tipo eu nom sou mau, o que passa é..., ou bem hahahahahaha, olha que mau que fum!. martínez de pisón nom faz nem umha cousa nem outra. coloca um prota que nunca se defende nem se justifica nem se explica nem pressume nem objecta. nada. e faz-no de umha maneira magistral.

todas as testemunhas que falam de justo tenhem ademais a sua própria história. e este é outro dos acertos da obra, claramente estrutrada: cada testemunha introduze a sua vida antes de explicar a sua relaçom com justo, e essas introduçons som novas tesselas que ajudam a construir o mosaico da vida na barcelona franquista dos anos 60 e 70.
enfim, leitura mui mui recomendável.




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ares bem difíceis

almudena grandes: los aires difíciles. tusquets. barcelona 2002.

para mim resultou, sobretodo, um livro tristíssimo sobre pessoas tristíssimas. e nom um triste livro, que é diferente. 
dúas pessoas decidem refazer as suas respectivas vidas mudando-se a umha nova urbanizaçom a pé das praias gaditanas. ela, sara, foge sozinha, ele, juan, fai-no acompanhado da súa sobrinha orfã e do seu irmão retrassado. a mulher que faz a limpeza em ambas as casas exerce de canle comunicante entre elas. 
e vamos lendo e descobrindo que todas as pessoas que habitam os dous chalés resultam seres solitários e abandonados na vida. seres que escondem segredos, medos e angústias que cada amanhá tencionam simular sob a máscara da normalidade. 

a base da narraçom está nas analepses que rebordam cada capítulo. em cada um deles assume a perspectiva da narraçom umha das personagens que vai trazendo ao presente memórias dos momentos que marcárom a sua vida e forçárom a sua chegada a esse recanto do sul. 
e seguimos lendo e seguimos conhecendo os interiores desolados dumhas pessoas para as que, o difícil, nom é resistir a lestada ou o vento de poente, mas a dor de respirar o ar cada três segundos. 

duas únicas pexas: ao começo faziam-se-me pesadas e repetitivas as contínuas metáforas e comparaçons com que a narradora acompanhava os comentários sobre a situaçom anímica das personagens. com o avanço da leitura afigem-me, e até me parecérom necessárias.
e o final, para mim contraditório com a imagem que se constrói previamente de sara, a protagonista. a sara que imos conhecendo, ou que eu creio conhecer após a leitura, nom deixaria entrar ao polícia tam alegremente na sua casa, e menos o deixaria só com afonso conscientemente. deveria ter acontecido doutra maneira. 

em todo o caso, penso que esta mulher é umha grande, nunca melhor dito, escritora.

o jardim esquecido

kate morton: el jardín olvidado. suma de letras. madrid 2010.

nom sabia que era um best-seller. soube-no depois de lido. é bom deconhecer estas cousas, porque eu sou umha leitora fundamente prejuiçosa.  

do livro gostei. a trama engancha. há três épocas, três protagonistas mulheres, e um conflito comum. a mais nova de todas elas, a da época actual, busca dar soluçom a um segredo familiar, que nós imos conhecendo da mão das suas pesquisas e das outras narraçons cruzadas com a principal. 

o livro está bem construído. dá as suficientes falsas pistas para manter a atençom do leitor, mantém a intriga, e penso que as contextualizaçons ambientais (essas ribeiras londrinas, que recordam as crianças de dickens, as mansions vitorianas da austen) estám bem logradas. bebe de múltiplas fontes, surpreedentemente pouco australianas, para dar com um cóctel que seduze e atrapa. 

sobrar sobrárom-me os contos de fadas: demasiado artificiosos.

também é certo que nom lhe pedim mais...



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

leituras demoradas: de cóleras e chocolates

gabriel garcía márquez: el amor en los tiempos del cólera. mondadori. barcelona 1999.
laura esquivel: como agua para chocolate. debolsillo. barcelona 2003.

o tempo nom deixou de passar por estas duas obras. forom escolhidas para ler no clube de leitura de papás e mamás do licéu. já tinha lido as duas há umha cheia de anos. a de garcía márquez guardava na memória o primeiro posto em preferências (descontado os cem anos, que som antológicos). da de esquivel guardava mais memória das imagens do filme, visionado no cinema yago de compostela que da narrativa, mas a memória era positiva e carinhosa. 
porém o tempo passou, a vida por mim e polos dous livros e a leitura já nom foi a mesma. odeio florentino ariza. nom sei como puidem gostar de semelhante machistada senimental. essa ideia de que podes ter um amor eterno, a um tempo folhar com quanta mulher se ponha diante, e ter a desfachatez de afirmar que te mantés virgem para a amada porque as outras nom tenhem valor. o que mais raiva me dá é pensar que na primeira leitura nom prestei atençom a isto, mas todo o contrário, ficou em mim a ideia de que o amor era isto que reflectia o romance. a posiçom do narrador tem a suficiente ambiguidade como para que a discusom no clube fosse se essa era a educaçom sentimental que defendia garcía márquez ou realmente ele quis denunciar esse concepto do amor e das relaçons entre homens e mulheres. como admiro garcía márquez, opto por defender o segundo.

o mesmo me aconteceu com o livro da esquivel. se isso é o amor, mamaínha!
e outra cousa encontrei em comum entre as duas obras: demasiados adjectivos. descubrim que agora mesmo prefiro os estilos menos barroquizantes. a singeleza narrativa é mais do meu gosto. e em ambas a obras tivem a sensaçom de adentrar-me numha selva rebordante de cheiros, aromas, cores e tactos, para mim de mais. vam-me mais os prados e as veigas. sem excessiva vegetaçom.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

náufrago do paraíso

marcos calveiro: lois pereiro.náufrago do paraíso. xerais. vigo 2011.

dentro da vorágine de livros adicados ao autor das letrasgalegas de cada ano, caeu-me este nas mãos em forma de presente. é um desses livros de encarga, suponho, pois está editado na colecçom fóra de xogo, dirigida a público juvenil. é dizer, um livro feito para licéus de secundária, basicamente.
entrei na leitura sem muitas expectativas, sem aguardar nada, mais bem com o morbo de ver como defrontava o autor dumha maneira politicamente correcta, a tam pouco politicamente correcta mocidade, luita e morte de lois pereiro. 
e chegou a surpresa. o primeiro lance deixou-me k.o. umha conversa entre duas velhas num cemitério.  impressons ante o epitáfio de lois. essa frasse nom era para pór aqui... boíssimo!
com muito acerto, penso, o autor coloca-nos ante umha biografia dramatizada (apresentam-na na contra-capa, como guiom cinematográfico, mas em realidade cumpre com todas as normas do teatro). pequenas cenas que recolhem momentos concretos, anedotas ao longo da vida de lois pereiro que conseguem, penso, que quem lê se faga umha imagem poliédrica do poeta. para mim, o único que fica curto é precisamente, a antologia poética.

umha encarga bem cumprida, sim senhor.

leituras demoradas: ayes deste meu país

j.l. do pico orjais e isabel rei sanmartim: ayes de mi país. o cancioneiro de marcial valladares. dos acordes. baiona 2010.

nom sei música. nada de nada. nem sei solfejar e seique nem tenho ouvido (diz meu pai), ainda que me esforce em aprender toques e cantos de pandeireta. e por que merquei este livro (e lim, claro), se é de música? umha, porque umha das autoras é isabel, amigha guitarrista que apreço muito; duas, porque o outro autor nom o conheço persoalmente, porém sigo atentamente as suas andanças através da internete. e três, porque estudam parte da obra de um senhor (reitegrata fundacional) que também admiro, o valladares. triplo compromiso, portanto.

ayes de mi país consiste numha ediçom fac-simile do cancioneiro popular que marcial valladares tinha recompilado meado o século xix. o interesse deste cancioneiro está no feito de conservar letras e partituras musicais. para mim, como já digem, ignorante na arte de solfejar e diferenciar graves e agudos, fusas e semi-fusas, podia ter o interesse das coplas e letras recolhidas. era-me avundo.

mas entrei na introduçom. os autores tencionam explicar-nos o contexto social e cultural em que este cancioneiro tem nascido. tencionam e conseguem, porque a sua achega resulta do mais interessante. 
na zona da estrada sempre houvo umha funda tradiçom musical popular, som várias (e fôrom mais) as bandas de música e muitos mais os grupos de música tradicional, os coros e ruadas, etc. e saber que numha casa labrega rica, como a de marcial valladares, havia tanta variedade de instrumentos, tanto gosto pola música, ajuda a comprender essa tradiçom. 
as cousas cobram o seu sentido quanto mais conheces. e é muito importante focar a atençom nesses trabalhos aparentemente marginais (centrados como estamos muitas vezes no labor literário ou historiográfico de certas figuras) para ter umha visom mais completa do que foi a posta em valor da cultura galega no xix. 

enfim, que eu saquei proveito do livro sem saber de música. imaginai aquelas que tenhades mais cultura musical ca mim...