pequeno e delicioso álbume ilustrado no que a autora, ao modo de persépolis, lembra a sua neinice justo durante a guerra do líbano. em realidade nom sei se é banda desenhada ou um loooongo poema ilustrado. e gostei muito porque devemos ser de idades semelhantes e temos recordos parecidos, ela lá no beirute da guerra e eu cá, no fojo sem bombas nem bairros derruidos.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
leituras demoradas: lembranças
pequeno e delicioso álbume ilustrado no que a autora, ao modo de persépolis, lembra a sua neinice justo durante a guerra do líbano. em realidade nom sei se é banda desenhada ou um loooongo poema ilustrado. e gostei muito porque devemos ser de idades semelhantes e temos recordos parecidos, ela lá no beirute da guerra e eu cá, no fojo sem bombas nem bairros derruidos.
Leituras demoradas: a moscoscoia.
wisława szymborska: Paisaje con grano de arena. ana maría moix e jerzy wojciech slawomirski (tr.). lumen. barcelona 1997.quem leia este blogue sabe já que quando me familiarizo e intimo com algum/ha autor/a, personalizo o seu nome para o fazer mais meu. esta mulher tam difícil de pronunciar para mim transformou-se na moscoscoia. que andas a ler, susana? buff, ando enganchada na moscoscoia. wisława chegou a mim atravês de marro, outra das minhas companheiras da escola [quem leia este blogue também pode cair na conta de que na minha escola há um grande viveiro de pessoas leitoras]. wisława chegou a mim atravês de marro e apaixonei. custou-me entrar nela porque a traduçom, inicialmente, fazia-se-me muito falsa: até tinha rima. e nom podia ser. como ia sair rimada umha traduçom do polonês ao castelhano?? mas umha vez que entrei no jogo, nom puidem sair dele. irónica, tenra, quotidiana, directa, profunda... a poesia de wisława vale, penso, incluso para aquelas pessoas que nom leiam muito deste gênero.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Leituras demoradas. as deusas.
outra recomendaçom da minha colega carmen. leitura junguiana sem ter lido nunca jung. reviravolta feminista deste autor para fazer-nos descobrir às mulheres qual é o arquétipo, inspirado nas figuras de sete deusas gregas domina o nosso carácter. ameno e divertido, sobretodo se vas colocando deusas a cada mulher que conheces (eu vejo-me meio artemisa meio afrodita...). Seique tem umha segunda parte com mais arquétipos (e portanto mais matizes).
Leituras demoradas. café budapest
afonso zapico. café budapest. astiberri. bilbo 2008.
entrando-lhe á banda desenhada. umha delícia. a eterna história de amor entre pessoas de famílias rivais, de culturas diversas e o horror do genocídio nazista de fundo.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Leituras demoradas: silvinha.
silvia plath: poesia completa. ediciones bartleby. barcelona 2008.
outra das leituras demoradas e lentas destes últimos messes foi a poesia completa de silvia plath. e menuda edição a do galego xoan abeleira!
lim a silvinha desde a ignorância e o desconhecimento e, portanto, sem muitos prexuizos, o qual favoreceu a leitura. impressionou-me o seu domínio das imagens, das metáforas e, por suposto, o imenso mundo mítico que elaborou nos seus poemas. bufff!
precursora!
Leituras demoradas: correndo com lobas
levo messes sem fazer anotaçons neste blogue, o qual nom quer dizer que nom leia, simplesmente que nom anoto neste blogue. pensei em começar de novo e esquecer leituras que ficárom no caminho destes tempos, mas penso que vale a pena quando menos fazer memçom delas, para que este caderno nom perda o seu sentido inicial. quando houver tempo e vontade, acrescentarei comentários.
a grande leitura do inverno/verám/outono foi esta de clarissinha. A lentidom da leitura nom o foi por preguiça mas porque é um livro que require umha atençom demorada, um ler de vaca, ruminando cada capítulo. a estrutura, ademais, anima a fazê-lo assim.
mistura de psicologia, antropologia, literatura popular, mitologia, guia de auto-ajuda e poesia, este ensaio tem um único objectivo: definir que é umha mulher selvagem e aprender-nos [às mulheres que queiramos] o caminho para recuperar essa mulher-loba que levamos dentro.
depois de ler, eu quero.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
utopias piratas
peter lamborn wilson: utopias piratas. corsários, mouros e renegados europeus. deriva editores. porto 2009.ou dos piratas como sociedade proto-democrata. ou dos piratas como sociedade proto-socialista.
merquei o livro naquela visita de abril a braga. quem não lhe dê importância aos títulos que coloca às suas obras, que atenda aos meus critérios de selecçom de livros: há muitos que caem nas minhas mãos polo intuito dum bom encabeçamento. é o caso deste utopias piratas, tão sugerente.
e de resultados tão interessantes. peter lamborn tenta, neste ensaio, reconstruir a história da "república corsária do salé", que tivo vigência, nessa cidade marroquina por volta do sêculo xvii. mas para consegui-lo, encontra certas dificuldades: ai, as fontes!. se algo caracteriza as culturas piratas é o seu carácter iletrado, polo que o investigador só pode contar com a documentação fornecida por informantes alheios a essa cultura: visitantes europeus ou africanos, mas em todo o caso, inimigos. há de aprender a ler entre as linhas das propaganda anti-corsária, da hostilidade e o sensacionalismo, por ver de reconstruir uma possível realidade histórica.
muitas cousas interessantes nos oferece esta obra:
- achega-nos a um mundo muito próximo (historicamente), de grande importância para comprendermos certas questões sociais, religiosas, etc, mas que sempre conhecemos do ponto de vista europeu -castelhano-. lembro ter estudado que cervantes estivera cativo em alger e a literatura castelhana da época -pensemos no romance bizantino- reflicte a actividade pirata como algo habitual, mas nunca encontrei tratado esse fenômeno nos livros de história que lim, e quando citado, foi reduzido a uma simples questão de delinquência. esta obra fornece um achegamento básico ao que significárom os enclaves de alger, túnes, tripoli na actividade corsária da época.
- chama a atenção sobre um fenômeno também pouco atendido em outras obras: numa espanha obsessionada pola religião, não adoita falar-se dos renegados: aquelas pessoas que voluntariamente escolhem professar a religião mussulmana. aparece-nos salé, neste livrinho, como o refúgio de muitos andaluzes e castelhanos expulsos de espanha por não aceitar o crstianismo obrigatório.
- fai-nos ver a importância política das sociedades piratas na altura, pois assim como o terror corsário podia chegar até as portas de irlanda ou islândia, também a diplomacia holandesa ou britânica chegava às costas africanas e punha em comunicação esses dous mundos defrontados.
- frente a visão anarquista, proto-capitalista e individualista que oferece a imagem hegemónica do mundo da pirataria, defende a ideia comunitária e igualitária da mesma, um mundo em que o indivíduo não é ninguém mas pode chegar ao mais alto: ninguém porque um barco não se pilota sozinho e o mais importante porque o berce não é mirado para eleger aos dirigentes. uma comunidade com normas próprias, muitas vezes contrapostas às das comunidades de origem dos seus membros. autêntica resistência social.
- e sobretudo, combinando estes elementos anteriores, mostra como certas correntes do islamismo, junto com a incorporação de contingentes de marinharia explotada às tripulações piratas favorecêrom o aparecimento duma república: uma sociedade igualitária, de funcionamento proto-democrático que foi, para o autor, um claro precedente das futuras sociedades democráticas europeias.
uma leitura muito enriquecedora porque me faz reflexionar tanto sobre a minha formação cultural como sobre o meu futuro labor como investigadora. ademais de divertir-me com as andanças piratonas de murad rais, por exemplo.
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